Eu fechei os olhos, respirei fundo e virei o primeiro copo. Dia vinte e sete de janeiro saiu o resultado tão esperado. Eu era oficialmente estudante da UnB. Estava no sul do Brasil visitando minha família quando vi meu nome no site dos aprovados na primeira chamada do PAS. A minha felicidade era indescritível.
Acredite ou não, mas eu estava fazendo a unha da minha prima, então a minha comemoração não passou de um grito e uma lágrima escorrida. No dia seguinte encontrei com meus amigos que também haviam passado, e comemoramos com um ovo, tinta e sinal vermelho para pedir dinheiro.
Sempre tive medo dos trotes que poderia receber. Via os veteranos embebedando os seus calouros e eu nunca gostei de beber. Na verdade, eu sempre detestei. No primeiro dia de aula, sai de casa um tanto apreensiva, levava na minha bolsa uma blusa velha no caso de receber trotes. Com o passar da semana fui ficando mais tranquila e acabei nem levando a mais a blusa.
Ainda assim, fazia questão de sair da sala o mais rápido possível, e ficava sempre muito tensa quando alguém pedia para dar um recado durante a aula. Ouvia histórias de amigas que faziam outro curso e que haviam recebido trote, todas contavam como era divertido se você levasse na brincadeira. Para mim, era humilhação.
Os veteranos faziam perguntas intimas e se você não respondesse você era vaiado. Para quem tem medo de palco, fuja dos trotes. Eles fizeram elas subirem na mesa, dançar e responder as tão indiscretas perguntas. Além de adotar apelidos ofensivos e de mau gosto. Meu medo voltou. Já estava decidida, se nos chamassem para o trote, eu fugiria. É um plano infalível, se você desconsiderar a possibilidade de receber outro trote ainda pior.
Em um determinado domingo, saiu no jornal uma noticia sobre os trotes que eram feitos na Universidade de Brasília. Ela dizia que eles deveriam ser banidos pela falta de respeito e humilhação com que eram executados. Havia uma foto acompanhando a reportagem em que era mostrado meninos ajoelhados sem camisa e sendo, na teoria, obrigados a beber. Dizia também que um dos jovem portava uma arma de choque.
Li a reportagem e fiquei horrorizada. Não sabia se era fruto de uma mídia sensacionalista, ou se era verdade. Considerei os relatos das minhas amigas e concluí que poderia ser verdade. Na segunda-feira recebi meu trote. Enquanto me pintavam, uma das veteranas conversava comigo e perguntava se estava gostando do curso. Depois de pintados, nos ensinaram a musica do curso e cantamos pelo campus. Nos fizeram dançar e nos apresentar, quem não queria, simplesmente assistia. Na hora de beber, eles perguntaram quem estava disposto e quem tinha dezoito anos.
A fila se formou e o copo foi passando. Não dava para ver o conteúdo do copo, nem sei se queria saber. Eu fechei os olhos, respirei fundo e virei o primeiro copo. Era leite.
25 março 2012
13 março 2012
Do tubarão chupando manga ao Titanic
Depois do almoço sempre escutei minha avó gritar comigo e com meus primos que se entrássemos na água, a boca ficava torta. Nunca entendi muito bem o porque, e quando perguntávamos, a resposta era quase sempre: “ Eu não arriscaria se fosse você!”. Talvez isso não tenha passado de um mito, mas nunca fui corajosa o suficiente para entrar na piscina logo depois do almoço para comprovar a teoria.
Uma hora era o tempo que precisávamos esperar para poder continuar a brincar. Vida de criança, na cabeça delas, é sempre injusta: tem que parar de brincar, não pode brincar ainda, tem que tomar banho, está na hora de dormir. O que eu sei, é que ficávamos na beira da piscina chupando manga do pé, esperando passar o tempo. Lembro-me que uma vez arrisquei voltar a nadar cinqüenta e cinco minutos depois. Faltavam apenas cinco minutos, pensei, mas eu rezei pela minha boca. Nada aconteceu.
Depois de comer manga, que por sinal, nunca levei muito em conta o tempo após comê-la, entrávamos nas águas do Mar Bravo. Os monstros que nos atacavam congelavam no tempo e esperavam ansiosos pela nossa volta. Éramos sete primos, e cada um inventava a história que quisesse. Um era o tubarão, que todos tentavam desesperadamente fugir dele, a outra era a sereia, que lutava contra o tubarão para proteger os passageiros do Titanic que já estava embaixo d’água.
Usávamos o limpador da piscina para tentar escalar sem cair. Era impossível. Na nossa imaginação, era na ponta dele que se encontrava a chave de um cofre individual do Titanic. Respirar fundo, segurar o ar, escalar até a ponta e pegar a chave imaginária que abriria o cofre, o último e mais fundo azulejo da piscina.
Quando conseguíamos pegar o que havia no cofre, uma pedra, enfrentávamos ninjas com poderes mágicos que jogavam água e tentavam roubar a pedra de nós. Era uma verdadeira briga. Um jogo cheio de regras e ao mesmo tempo sem nenhuma. Enquanto uns “plantavam bananeira”, outros competiam para ver quem conseguia ficar mais tempo sem respirar. Os que saíam vitoriosos iam para o salão de beleza, para concorrer ao Mis Penteado 1998. Eram cabelos enrolados até o topo da cabeça que tentávamos equilibrar para uma simples foto. A criatividade rolava solta. E a aventura só acabava quando os dedos enrugavam, a boca ficava vermelha, e o frio incomodava.
Uma hora era o tempo que precisávamos esperar para poder continuar a brincar. Vida de criança, na cabeça delas, é sempre injusta: tem que parar de brincar, não pode brincar ainda, tem que tomar banho, está na hora de dormir. O que eu sei, é que ficávamos na beira da piscina chupando manga do pé, esperando passar o tempo. Lembro-me que uma vez arrisquei voltar a nadar cinqüenta e cinco minutos depois. Faltavam apenas cinco minutos, pensei, mas eu rezei pela minha boca. Nada aconteceu.
Depois de comer manga, que por sinal, nunca levei muito em conta o tempo após comê-la, entrávamos nas águas do Mar Bravo. Os monstros que nos atacavam congelavam no tempo e esperavam ansiosos pela nossa volta. Éramos sete primos, e cada um inventava a história que quisesse. Um era o tubarão, que todos tentavam desesperadamente fugir dele, a outra era a sereia, que lutava contra o tubarão para proteger os passageiros do Titanic que já estava embaixo d’água.
Usávamos o limpador da piscina para tentar escalar sem cair. Era impossível. Na nossa imaginação, era na ponta dele que se encontrava a chave de um cofre individual do Titanic. Respirar fundo, segurar o ar, escalar até a ponta e pegar a chave imaginária que abriria o cofre, o último e mais fundo azulejo da piscina.
Quando conseguíamos pegar o que havia no cofre, uma pedra, enfrentávamos ninjas com poderes mágicos que jogavam água e tentavam roubar a pedra de nós. Era uma verdadeira briga. Um jogo cheio de regras e ao mesmo tempo sem nenhuma. Enquanto uns “plantavam bananeira”, outros competiam para ver quem conseguia ficar mais tempo sem respirar. Os que saíam vitoriosos iam para o salão de beleza, para concorrer ao Mis Penteado 1998. Eram cabelos enrolados até o topo da cabeça que tentávamos equilibrar para uma simples foto. A criatividade rolava solta. E a aventura só acabava quando os dedos enrugavam, a boca ficava vermelha, e o frio incomodava.
Terminávamos o dia assistindo ao sol se pôr em cima da árvore. Cada um tinha um lugar marcado com um pedaço de tapete emborrachado que havíamos aparafusado, e foi assim todos os finais de semana e dias de férias da minha infância.
16 fevereiro 2012
psicotécnico.
Agora falando sobre o meu dia, hoje eu acordei as 7:20 da manhã para fazer o meu exame de psicotécnico. Levantei quase me arrastando e fui para a clínica. O mais legal, foi que eu simplesmente não conseguia encontrar o endereço e fui na sorte com a minha mãe. Levei bronca as 8 da manhã porque não sabia chegar no lugar- great.
Achamos um pouco atrasadas, mas nenhum estrago foi feito. Preenchi minha ficha e fui chamada para uma sala com algumas carteiras escolares. Havia uma menina fazendo comigo o exame, não exatamente comigo, mas ao mesmo tempo, digamos. Entrei em outra sala ainda menor, e que só tinha uma escrivaninha, uma mesa com uma prancheta e um armário. Sentei na mesa com a prancheta e segui as instruções da psicóloga. Sério... é muito impossível fazer desenhos com a mão esquerda quando se é destro! ZERO COORDENAÇÃO! Imagino que quem já passou por isso, teve o mesmo problema que eu.
Acabei de fazer o teste de coordenação motora, e fui completar o teste de lógica. Era bem simples e monótono. Tinham imagens repetidas e você tinha que indicar qual seria a próxima, seguindo um padrão. Acredite... certas imagens não tinham padrão nenhum!
Acabamos, eu e a minha colega futura motorista, e passamos para o teste de atenção. Eles mostraram quatro imagens em um quadrado e nos davam uma folha dessas mesmas imagens e outras misturadas. E nós tínhamos que marcar apenas as que foram mostradas anteriormente. Fizemos isso duas vezes e na segunda vez eu já estava confundindo tudo...
Tivemos o ultimo teste antes do exame médico e, neste momento eu já tinha ficado competitiva. Tinha tempo para responder as questões, e fiz no tempo mais rápido que pude. "Ganhei, sou mais rápida que ela." Pois é... todos tem seu lado competitivo. Mas não se preocupa, nem deixei transparecer a competição inexistente que se passava na minha cabeça.
Terminamos tudo depois de uma hora e meia e fomos consultar com o médico. Ele me mostrou o óbvio, que eu sou cega sem meus óculos e por isso, só poderia dirigir portando eles ou as lentes de contato.
E agora, é esperar para amanhã pegar o resultado. Antes, eu só preciso confessar uma coisa... eu tenho medo de dirigir!
pela metade
Não sei se você já leu o livro "A menina que roubava livros", mas tenho certeza que já ouviu falar. Eu já. Ou quase... Comecei a ler no verão de 2009 se não me engano e simplesmente não continuei a ler. Parei na metade e devido a volta às aulas, tive que me concentrar nos livros do vestibular. Terminando de ler, ou não, posso dizer com certeza, que até a parte que eu li, é um livro excepcional. A história de Markus Suzak tem como narradora a Morte. E ela nos conta como a jovem menina, Liesel, escapou da mesma três vezes. A história se passa durante a segunda guerra e o holocausto na Alemanha.
Honestamente, comentei do livro porque ele foi apenas um de muitos que comecei a ler, e não terminei . Minha meta este ano, pelo menos durante este último mês de férias, é terminar todos. Tenho em minha estante 12 livros. Uns inacabados e outros nem começados, e com eles a minha fama de fazer tudo incompleto, se alastra.
Preciso dizer que fiquei com uma vontade de escrever sobre isso, sobre as coisas inacabadas que eu deixo por conta própria, e ainda, senti uma vontade maior ainda de citar especificamente esse livro. Eu tinha até em mente, comentar sobre um site muito legal que tem várias coisas de garotas. Mas como são poucas as que eu sei que lêem, posso adiar este post.
Sendo assim, quando acabar o livro, finalmente, contarei exatamente minhas observações sobre a obra e passarei para quem estiver curioso (:
P.
14 fevereiro 2012
pela internet
Dia calmo, comum. Nem me lembro detalhes. Havia combinado com minhas amigas de irmos lanchar em uma creperia. Estávamos de férias e queríamos nos despedir antes de cada uma das sete amigas, viajarem para um canto diferente do Brasil. Eu estava no computador, como geralmente fico antes de dar a hora de me arrumar para sair. Estava enrolando, vendo sites de fotos e se duvidar, até mexendo em um blog antigo meu. Conversava com uma amiga minha de outro estado, ela me contava as novidades e como estava interessada em seu melhor amigo. Quis conhecê-lo em uma video-conferência. Acredite, até pelo computador eu estava nervosa. Seu nome era Daniel, e me parecia muito simpático. Gostei logo de cara.
Enquanto conversávamos os três em uma janela do chat, eu e essa amiga, conversávamos em outra. Perguntava detalhes sobre a relação deles, como ela se sentia perto dele e me lembro de ter dito que ele era um cara legal. Me perdi no tempo com a conversa à três e tive que correr para me arrumar. Desliguei o video e sai correndo. Contei sobre ele para as meninas no restaurante, e elas perguntaram se algum dia eu iria vê-lo pessoalmente. Lembro de ter dito que só se algum dia eles namorassem.
Contei para as meninas de um encontro surpresa que havia tido com um menino que eu gostava. E que pensava em desistir dele, porque não teria futuro. A maioria concordou, outras falaram para eu apenas me divertir sem pensar em nada sério. Eu não pensava. Nunca pensei. Sempre tive medo, e por isso, quando começava a gostar de alguém e recebia uma resposta positiva, pulava fora. Eu sei... não faz o menor sentido. Mas essa sou eu. Ou era.
Voltei pra casa era pouco depois de meia noite. Coloquei meu pijama, tirei a maquiagem e me preparei pra dormir. Foi quando me lembrei do computador ligado e da conversa que havia deixada aberta com a minha amiga e sua paixãozinha. Me levantei e liguei o monitor. a conversa de poucas palavras escritas, tinha se estendido para horas de leitura. Notei um nome um tanto quanto estranho no meio. Terminei de ler, tentando entender algo, mas me perdi totalmente. Depois de uma meia hora desistir e mandei: "Oi, tem alguém ai?"
Nada. Nenhuma resposta. Desliguei o computador e fui dormir. Acordei cedo no dia seguinte, e entrei no computador. Não me culpem, eu estava de férias. Mas ainda assim, nenhuma resposta. Desliguei o monitor, fui preparar meu café e ver televisão. Nem lembro o que passava, nem muito menos o que fiz do resto do meu dia. Lembro-me apenas quando chegou a noite.
Naquele tempo, eu dormia tarde, e acordava cedo. E virava a noite no computador fazendo nada de útil. Mas naquele dia, com esperanças de conhecer pessoas novas, voltei para a conversa que havia fechado na noite anterior. Alguém tinha respondido a minha pergunta, só que eu não estava presente no momento então só vi depois. Escrevi: "Droga, não tem ninguém de novo... quando alguém entrar, avisa (:"
Dessa vez eu tive uma resposta.
13 fevereiro 2012
a arte da escrita
Ray Bradbury, talvez você tenha ouvido falar dele, talvez não. Ele é um escritor americano, que já publicou mais de 500 obras, dentre elas estão contos de ficção cientifica, romances, poemas, cronicas, contos de suspense e tudo o que você puder imaginar. Ray é o tipo de escritor que faz você mudar o seu jeito de olhar para o mundo. Ele se tornou mais conhecido pelas suas obras Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451. Descobriu seu estilo como escritor com " O lago". E recebeu prêmios ao longo dos anos pelos seus contos e foi contratado como consultor e criador com Epcot Center.
Depois de toda essa biografia, me sinto fazendo um favor a todos que irão ler. Apresentando- lhes esse espetacular escritor. Meu livro do mês é dele. Chama-se "O zen e arte da escrita", ele conta sobre a sua vida, e como ele se sentia ao escrever. Explica como foi a sensação de escrever "O lago" o seu primeiro conto realmente bom, que terminou em lágrimas. Ray Bradbury me ensinou que não existe uma história realmente boa, se não houver inspiração, e ainda, quando houver não perca tempo, corra para o computador, o papel e a caneta, o celular, a máquina de escrever. Deixe a história fluir e escreva com o coração.
"Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!" - Ray Bradbury
P.
Depois de toda essa biografia, me sinto fazendo um favor a todos que irão ler. Apresentando- lhes esse espetacular escritor. Meu livro do mês é dele. Chama-se "O zen e arte da escrita", ele conta sobre a sua vida, e como ele se sentia ao escrever. Explica como foi a sensação de escrever "O lago" o seu primeiro conto realmente bom, que terminou em lágrimas. Ray Bradbury me ensinou que não existe uma história realmente boa, se não houver inspiração, e ainda, quando houver não perca tempo, corra para o computador, o papel e a caneta, o celular, a máquina de escrever. Deixe a história fluir e escreva com o coração.
"Toda manhã, pulo da cama e piso num campo minado. O campo minado sou eu. Depois da explosão, passo o resto do dia juntando os pedaços. Agora é a sua vez. Pule!" - Ray Bradbury
P.
cara nova

ano novo. 2012. cara nova. há menos de um mês atrás, eu descobri que serei capaz de realizar o meu sonho, de cursar na faculdade a minha paixão. devido a essa tão feliz descoberta, eu resolvi mudar. mudar a aparencia do blog e sobre o que ele se trata. para os poucos que realmente leêm esse blog, devem ter notado que os textos são em sua maioria de minha autoria, e sobre coisas pessoais. enfim, um blog servindo de seu próposito, um diário on-line. no entanto, com a mudança do site o tema agora será outro. serão informações, curiosidades, e uma vez ou outra um texto pessoal. pretendo tornar esse blog, um lugar que tenha um pouco de tudo, um pouco sobre música, viagem, moda, fotografia e outras coisas mais que eu gosto.
espero que eu consiga passar a mensagem que eu quero e entreter/informar sobre o mundo.
P.
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